Programa Recomeço | O que eu devo fazer?

Programa Recomeço

Governo do Estado de São Paulo

DISQUE RECOMEÇO
TRATAMENTO PARA DEPENDÊNCIA QUÍMICA
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Como saber se uma pessoa está usando drogas?

Existem diversos tipos de drogas e cada uma delas afeta o usuário de formas diferentes. A intoxicação pelo álcool, por exemplo, produz um hálito específico, o consumo de maconha deixa os olhos vermelhos e o uso de cocaína é quase sempre acompanhado por inquietação e pressão para falar.

Quando alguém começa a consumir e, aos poucos, vai se tornando dependente de uma droga, o desejo de manter esse hábito se mostra mais importante do que outros como o estudo, os relacionamentos com familiares e amigos, o trabalho e até a higiene pessoal.

As mudanças de comportamento, especialmente as que aparecem de uma hora para outra devem ser sempre abordadas pela família, principalmente quando não se tem certeza sobre o uso de drogas. Não ter medo de perguntar e de questionar sobre a presença do consumo é essencial e sempre um bom começo.

Não é preciso “saber” se a pessoa usa drogas para se tomar alguma atitude. Na dúvida, procure um Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (CAPS-AD) na sua cidade ou atendimento nos ambulatórios de especialidades. Em casos agudos procure o Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), na capital paulista, e conte com um especialista para ajudá-lo a conduzir um conversa com o seu familiar da melhor forma possível.

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Porque ele usa drogas?

Muitos podem ser os motivos que levam uma pessoa a usar drogas. Normalmente, ela é “apresentada” por um amigo ou é usada em algum ambiente que o futuro usuário passa a frequentar, depois de experimentá-la. A maioria começa com a maconha e depois, em busca de efeitos mais fortes e duradouros, experimenta a cocaína e o crack.

É comum o dependente relatar que, durante o efeito do entorpecente, se sentia como o “super-homem”. A pessoa passa a se sentir segura, eufórica e tem a sensação de que é capaz de fazer qualquer coisa, que antes tinha dificuldade ou que normalmente não fazia.

Eu tenho culpa?

Nunca há culpados, mas todos são responsáveis pelo sucesso do tratamento. O uso de drogas é resultado de inúmeros fatores – nunca um fato isolado pode ser apontado como a causa do uso de drogas. Basta notar na fala dos que possuem problemas com drogas, que a “causa” eleita por eles também já foi vivenciada por pessoas que nunca usaram nada. No entanto, para esse indivíduo, a presença desse problema – por exemplo, “apanhava muito dos meus pais” – em combinação com outros, tornou-o mais vulnerável ao consumo de drogas.

Reduzir um fenômeno tão complexo como este a uma simples relação de culpa não ajuda em nada. É importante, isso sim, que todos cheguem ao tratamento com um senso de responsabilidade: só vai dar certo se todos – paciente, familiares e equipe de tratamento – estiverem no mesmo barco.

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Quais os objetos suspeitos?

Os objetos mais usados pelos usuários para consumir drogas são:

  • Cigarros enrolados à mão
  • Pacotes de cigarros com o tabaco removido
  • Sacos selados para transportar a droga
  • Cachimbo
  • Comprimidos de cores diferentes
  • Latas, bisnagas de cola, frascos de lança-perfume
  • Restos de cogumelos
  • Pó branco cristalino
  • Agulhas

A maconha é preocupante? Ela pode ser a porta de entrada para as outras drogas? Se ele insistir em usá-la, o que eu faço?

Sim, quase todos os usuários de crack, por exemplo, relatam que começaram a utilizar a maconha e, em seguida, buscaram drogas com efeitos mais “fortes”. Portanto, pode caracterizar um sinal de alerta para a família do dependente.

A maconha também causa a esquizofrenia, doença psiquiátrica bastante grave e que não tem cura.

A família desestruturada

O dependente pode ter um comportamento muito agressivo e se tornar frio, distante, violento e passar a cometer crimes, abalando as estruturas familiares. A família não deve dar dinheiro ao usuário, para que não seja gasto com drogas, e sim encorajá-lo a procurar tratamento.

Conheça alguns estágios pelos quais as famílias normalmente passam:

Negação – Pais ignoram o problema achando que é só uma fase passageira

Incentivo – Famílias que mentem para proteger o usuário e permitem que usem drogas dentro de casa, pois acham que assim estão no controle da situação e que ele não vai se drogar fora de casa

Controle – Assumir o controle da vida do dependente de drogas na tentativa de fazê-lo parar. Passa a determinar horários e quais são as atividades que ele pode realizar

Atitudes extremas – expulsar ou tirar o usuário da própria casa e deixá-lo fora do convívio da família

Como lidar com o problema e o que posso fazer para ajudar?

Envolva-se. Se interesse pelo problema daquele que você quer ajudar, sem nunca eximi-lo de suas responsabilidades. Não tenha medo de perguntar se o consumo de drogas está na causa das modificações de comportamento que você está percebendo. Basta não fazê-lo de forma acusatória.

Perguntas diretas e objetivas são boas quando servem para aumentar a compreensão do problema e não para tirar conclusões ou para fazer julgamentos. Por isso, não ter medo de perguntar ou de oferecer soluções – “vamos ao CAPS” – é a melhor forma de ajudar.

Não tenha receio de procurar uma ajuda profissional, sempre que se sentir em dúvida. Não há um momento ideal ou específico para procurar ajuda.

Por outro lado, atitudes violentas ou de intimidação nunca devem ser toleradas. Isso provoca mais distanciamento entre o usuário e sua rede de apoio social, intensifica seu comportamento de uso e colabora para que ele seja visto como “um marginal” por aqueles que o cercam. Não aceite isso: procure outros familiares para apoiá-lo e, principalmente, ajuda especializada nos CAPS ou no Cratod.

É muito difícil convencer o dependente a se tratar?

Independentemente do grau de dificuldade, é sempre possível. O dependente químico é uma pessoa dividida: ela quer parar, mas também não se vê sem a droga. Desse modo, uma maneira de convencer o paciente é não ter receio – ou rodeios – de assumir que você é partidário incondicional quando o usuário diz que quer parar.

Ser a favor do “sim” é muito mais do que dizer “não use drogas” – é não compactuar com esquemas de consumo, não ceder frente a comportamentos intimidatórios, tomando medidas favoráveis ao tratamento. Mesmo que o indivíduo continue a dizer “não”, marque consultas para ele, o acompanhe ou vá no lugar dele. Informe-se, frequente grupos de mútua-ajuda voltados para a família, como o Amor Exigente, por exemplo. O engajamento é a melhor ferramenta de ajuda para esses indivíduos.

As recaídas são comuns?

Cerca de 70% daqueles que se propõem a abandonar o consumo de alguma droga voltam a usá-las, pelo menos, uma única vez nos noventa dias seguintes e 90%, dentro do primeiro ano. No entanto, apesar de comum, a recaída não é sinal de que o tratamento não deu certo. Do contrário, ela deve ser entendida como um colapso ou revés na tentativa de uma pessoa mudar ou modificar o comportamento.

A recaída não é um fato isolado, mas uma sucessão de eventos, atitudes, pensamentos e sentimentos “aparentemente relevantes” que antecedem o retorno ao consumo. Pessoas que, no período de abstinência, continuam frequentando os mesmos locais e grupos de convívio, bem como cultivando hábitos anteriores, tem mais chances de recair.

Uma das características do comportamento dependente é a busca, nas drogas, de recompensa imediata por qualquer situação emocional ou física de desconforto. A Prevenção de Recaída é uma etapa fundamental do programa de tratamento, no qual serão revistos crenças e pensamentos, bem como o aprendizado e a aquisição de novos pensamentos, hábitos e comportamentos, assim como identificar e reconhecer as situações de risco e seus fatores de proteção.

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