Programa Recomeço | Crack

Programa Recomeço

Governo do Estado de São Paulo

DISQUE RECOMEÇO
TRATAMENTO PARA DEPENDÊNCIA QUÍMICA
0800-2272863

O que é o crack?

O crack é a cocaína utilizada pela via pulmonar com o propósito de produzir efeitos mais rápidos e intensos. Ele é fumado em cachimbos improvisados de forma isolada ou misturado à maconha. Pode ser obtido por meio da cocaína refinada, da pasta de coca ou da pasta de base.
A pasta base foi a primeira forma de cocaína fumada. Ela pode ser chamada também de pasta de coca ou pasta crua.
A merla, uma variação do crack, é encontrada com mais frequência na região Norte do país e também na Centro-Oeste. Também fumada, ela é misturada com tabaco ou maconha.

OXI é uma das ‘receitas’ ou modos de obtenção da pasta base. Chegou ao Brasil pelo Acre, surgiu nos anos 80 e por volta de 2011 começou a aparecer nos noticiários brasileiros.

O impacto do crack no organismo

Inicialmente, o crack causa sensações de energia, bem estar e euforia. Ele também aumenta do estado de alerta e da concentração, provoca insônia, diminuição do apetite e da sensação de fadiga, hiperatividade motora, verbal e de ideias.

Frequentemente, observa-se uma sensação aguda e intensa de felicidade, com o aumento da libido e do prazer sexual. O crack é uma substancia de efeito imediato (5 segundos) e de curta duração (aproximadamente 5 minutos), provocando logo em seguida uma intensa fissura e o desejo de repetir a dose.

O comportamento do dependente

Muitos dependentes de crack passam a noite ou mesmo dias seguidos consumindo a droga até a completa exaustão. Eles não dormem e nem se alimentam por longos períodos. Vulnerável, o usuário fica desnutrido e passa a desenvolver doenças clínicas.

Para não interromper o consumo, a pessoa que usa a substância passa a ter comportamentos impulsivos e violentos. Outra característica é a promiscuidade nesses grupos, que se prostituem para obter a droga ou ganhar dinheiro para comprá-la.

Os efeitos do crack na vida do usuário

O crack provoca diversas reações no cérebro, que contribuem para a perda de habilidades sociais, de motivação para as atividades da vida e do valor de sua identidade pessoal.

Há dificuldade de manutenção dos vínculos sociais, afetivos e redução da capacidade de resolver qualquer tipo de problemas.

As alterações provocadas pelo consumo de cocaína/crack acarretam:

  • Déficits de memória, de atenção e de concentração, linguagem, planejamento ou cálculo
  • Lentidão no raciocínio e no processamento de informações
  • Dificuldade de percepção e de compreensão de situações
  • Desorganização do pensamento

Como é o tratamento da dependência química?

É composto por pequenos tratamentos durante um período extenso. As pessoas com muita frequência pensam que um único tipo tratamento resolverá o problema desse usuário para sempre.

A estratégia usada pelos médicos vai depender da gravidade da dependência e da vulnerabilidade psicossocial do paciente. O tratamento é realizado da seguinte maneira:

1. A dúvida ou a vontade de desistir do tratamento acompanha o dependente durante um período, por isso, ele deve ser motivado a continuar, sempre. Suas necessidades e a situação de crise que o fez procurar ajuda devem ser ouvidas e compreendidas pelos profissionais da saúde.

2. As primeiras semanas do paciente serão marcadas por um período de desintoxicação, uma fase em que o cérebro precisa se adaptar sem a influência da droga. Ela pode ser intensa – como acontece com o álcool – ou moderada, por exemplo a sensação de irritação sentida por quem deixa de fumar o tabaco. Essa fase dura algumas semanas e essas internações tem o objetivo de:

  • Favorecer a readaptação à ausência da droga
  • Verificar como está a rede de apoio social ao usuário
  • Reaproximar o dependente de sua família
  • Verificar a presença de doenças clínicas e mentais associadas e tratá-las

3. É preciso ter estratégias para manter a abstinência, procurando internações em comunidades terapêuticas com outros dependentes que passam pelo mesmo processo.

4. A fase de manutenção, sempre em um ambiente ambulatorial, pode ser feita em:

  • CAPS-AD (link para lista de Caps)
  • Estruturas de apoio comunitário
  • Serviços de psicoterapia
  • CRAS/CREAS
  • Oficinas e serviços de capacitação
  • Reinserção no trabalho e emprego

Nesse contexto, as moradias assistidas são um modelo social de recuperação, que consiste em viver com papéis definidos, normas e regras, muitas vezes bastante rígidas e restritivas para assegurar a ordem e a convivência.

Essa rede social de suporte é segura para aqueles que não precisam de internação e que se beneficiam de um tratamento por meio da convivência em um grupo que busca a abstinência estável. Nesses locais, o paciente desenvolve sua autonomia e suas habilidades sociais, além de criar uma nova identidade sem drogas.

5. Paralelamente ao tratamento e às estruturas de apoio social, encontram-se os grupos de mútua-ajuda, que são estruturas de recuperação essenciais para a reinserção social desses indivíduos. Eles oferecem ambientes livres de drogas e propiciam a formação de uma nova rede de relacionamentos dentro desse novo estilo de vida.

Como é o tratamento da dependência química?

Ele nunca termina completamente. É como um jardim, que precisa ser cuidado a vida toda. No começo, precisa de grandes esforços para que os canteiros vinguem. Depois, será preciso manutenção para que as pragas não o destruam. Por fim, cuidados pontuais na limpeza de suas ervas daninhas e cuidado com a terra.

Da mesma forma, acontece com os usuários. Os primeiros anos são sempre mais intensivos e cheios de obstáculos. Depois, os cuidados cotidianos, mantêm as conquistas iniciais para, finalmente, atingir uma estabilidade. Ele manterá a abstinência para o resto da vida, frequentando grupos, se envolvendo em sua comunidade, fazendo terapia, ou seja, cultivando sua nova vida.

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