Programa Recomeço | Ações na cracolândia

Programa Recomeço

Governo do Estado de São Paulo

DISQUE RECOMEÇO
TRATAMENTO PARA DEPENDÊNCIA QUÍMICA
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Conselheiros do Programa Recomeço encaminham 10 dependentes por dia para tratamento

No espaço montado pelo Governo do Estado de São Paulo, no local conhecido como a cracolândia, a pastora Nildes Nery concedeu essa entrevista no dia de seu aniversário. Sempre sorrindo e de bom humor, ela logo avisou que estava completando 47 anos de vida, dez destes percorrendo as ruas do centro velho da capital paulista, onde antigamente se amontoavam milhares de usuários de crack. Durante essa década, a pastora sempre tentou levar algum conforto para a vida dos dependentes.

Tudo começou quando uma de suas duas filhas, na época com 11 anos, observava da janela uma prostituta que estava na esquina por várias horas. Percebendo que a mulher estava com frio e, provavelmente, com fome, a menina pediu para que a mãe levasse uma marmita para ela. “Na hora eu não achei uma boa ideia, mas depois desse dia eu comecei a ouvir os dependentes que frequentam essas ruas. A vontade de ajudar nasceu dentro de minha casa”, relembra a pastora.

Nildes foi convidada para fazer parte do Programa Recomeço pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) após uma pesquisa realizada por sua ONG sobre os usuários de drogas. Sua equipe fica no espaço localizado na esquina da Rua Helvétia com a rua Dino Bueno.

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Desde 18 de janeiro de 2014 a pastora se estabeleceu no local, treinou 40 conselheiros que abordam os dependentes e oferecem ajuda. “A gente precisa ganhar a confiança dessas pessoas. O nosso trabalho é explicar como são os tratamentos oferecidos pelo Cratod e tentar entender qual a necessidade de cada um. Às vezes eles só precisam de um prato de comida, de um banho e até de uma ligação para um parente que eles perderam o contato”, explica.

Hoje o cenário na cracolândia é bem diferente do que era visto há alguns meses. Não existem mais barracos nas ruas e a polícia monitora o local para evitar conflitos e garantir a segurança dos moradores da região. Nildes caminha com tranquilidade, pois já é conhecida de todos. “Posso vir aqui de madrugada, nada acontece comigo. Todos me conhecem e sabem do meu trabalho.”

A pastora diz que os conselheiros encaminham para o tratamento cerca de 10 pessoas por dia. Eles trabalham em turnos e conversam com os usuários. Muitos estão doentes e precisam de ajuda médica. Eles, em sua maioria, são portadores de doenças como HIV, sífilis, tuberculose e pneumonia, entre outras. Nildes diz que o número de mulheres que frequentam a cracolândia aumentou muito – lá elas se prostituem para poder comprar drogas.

Adoção
Após tanto tempo vendo de perto os danos que o crack causa nas vidas das pessoas, a pastora pode dizer que doou seu amor de mãe para salvar a vida de duas crianças. Ela adotou dois meninos que foram abandonadas pelos pais usuários de crack. Na época ele tinham 4 anos e 6 meses. Hoje com 9 e 4 anos, respectivamente, eles carregam sequelas, segundo Nildes, mas com tratamento psicológico ela acredita que vai conseguir superar mais esse problema. “Eles nos escolheram e hoje são felizes.”

Reportagem: Vivian Retz Lucci

 

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